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TOP 10 concertos para piano que vocĂȘ tem que conhecer

  • Foto do escritor: Rafael Torres
    Rafael Torres
  • 3 de out. de 2020
  • 7 min de leitura

Atualizado: 7 de ago. de 2022

O Concerto para piano é, depois da sinfonia, o tipo de composição mais frequente nas salas de concertos. Não se trada de uma obra só para piano, mas para piano e orquestra. Uma apresentação típica é mais ou menos assim: Começa com uma peça que utilize a orquestra e um solista (e muito frequentemente é aqui que entra o concerto para piano); intervalo; segunda parte com obras só para orquestra.


Com rarĂ­ssimas exceçÔes, os compositores do passado tocavam ou conheciam muito bem o piano. O instrumento surgiu no começo do sĂ©culo XVIII, mas sĂł se tornou popular na segunda metade deste mesmo sĂ©culo. Ele herdou o repertĂłrio do cravo e ainda deu novas possibilidades aos compositores. Veja, o cravo tinha uma limitação grave: nĂŁo importava a força com que vocĂȘ tocasse a tecla, o resultado era o mesmo. Enfim, nĂŁo tinha forte nem fraco (piano em italiano Ă© fraco).


Surge então esse instrumento que é capaz de tocar forte e piano. Chamou-se, a princípio fortepiano. E ele abria possibilidades de interpretação que os teclados não haviam tido até então. E desde o começo percebeu-se a facilidade com que ele dialogava com a orquestra.


Vai aqui mais uma lista (gosto delas) dos meus concertos favoritos. NĂŁo quero simplesmente dizer que sĂŁo os concertos de que mais gosto. Quero, sobretudo, recomendĂĄ-los. Fazer com que vocĂȘ se sinta tentado a conhecĂȘ-los.


Esta lista Ă© mais que um "top 10". É parte de um "top 20" ou "top 30" que vou fazendo. AlĂ©m do mais, a ordem Ă© cronolĂłgica, indicando, portanto, que nĂŁo existe hierarquia na colocação das obras. NĂŁo vou fazer as mençÔes honrosas justamente porque teremos essas outras listas.


 

Wolfgang Amadeus Mozart - Concerto para Piano NÂș 27



Wolfgang Amadeus Mozart compĂŽs alguns dos mais importantes concertos para piano. Como nĂŁo quis colocar mais de um do mesmo compositor, escolhi o 27Âș e Ășltimo. É uma obra de 1791, o 35Âș e Ășltimo ano da vida de do compositor austrĂ­aco. Cheia de plenitude, paz, mas nĂŁo sem um pouco de melancolia, a obra nĂŁo Ă© considerada muito virtuosĂ­stica. O piano estĂĄ sempre discreto, doce. Como se o compositor jĂĄ tivesse provado que sabe muito bem escrever concertos e agora quisesse escrever apenas mĂșsica.


Gravação sugerida - Orquestra FilarmÎnica de Viena - Regente: Böhm, pianista: Gilels


 

Ludwig van Beethoven - Concerto para Piano NÂș 5 "Imperador"



De 1811, é o derradeiro concerto para piano de Ludwig van Beethoven. E o mais conhecido. Fora os 5, ele escreveu um para violino e um triplo, violino, violoncelo e piano: sempre com orquestra, não se esqueçam que Concertos são obras em que um instrumento solista dialoga com a orquestra.


O “Imperador” tem esse nome acredito que só pela sua natureza grandiosa. Não foi dado por Beethoven, mas pelo seu editor.


É frequentemente executado e gravado. O primeiro CD que eu tive dele, com a Orquestra de Cleveland regida por George Szell e com Leon Fleisher ao piano, tem vários pontos em que se pode enxergar o outro lado: de tanto que eu escutei, furou.


Gravação sugerida - Orquestra do Gewandhaus de Leipzig - Regente: Chailly, pianista: Freire


 

FrĂ©dĂ©ric Chopin - Concerto para Piano NÂș 2



Em 1829, antes de completar 20 anos, FrĂ©dĂ©ric Chopin nos presenteou com essa maravilha. O pianista brasileiro Nelson Freire diz que Ă© o mais belo e mais difĂ­cil, sendo seu favorito. O favoritismo explica ele dizer que Ă© o concerto para piano mais difĂ­cil. NĂŁo Ă©. Mas Ă© uma obra brilhante, cheia dos lampejos de criatividade tĂ­picos do compositor polonĂȘs.


Chopin escreveu 2 concertos, surpreendentemente, o primeiro antes do segundo. Explico: o que conhecemos como Concerto NÂș 2 foi escrito primeiro, mas publicado depois do que conhecemos como Concerto NÂș 1.


Por falar no 1Âș, Ă© mais conhecido que este aqui. E mais difĂ­cil (Nelson Freire que me corrija). Mas o 2Âș Ă© tĂŁo belo que eu optei por ele.


Gravação sugerida - Orquestra GĂŒrzenich de ColĂŽnia - Regente: Bringuier, pianista: Freire


 

Franz Liszt - Concerto para Piano NÂș 2



Franz Liszt, em 1840, compĂŽs este que Ă© um dos mais belos concertos para piano da literatura. É simplesmente bonito de doer. NĂŁo Ă© tĂŁo difĂ­cil e virtuosĂ­stico quanto o 1Âș, nem mesmo tĂŁo gravado quanto. Isso porque Ă© uma obra construĂ­da nĂŁo para o solista se exibir, mas para comover o ouvinte. É a minha peça favorita do compositor hĂșngaro.


Sua versĂŁo final Ă© de 1861, porque Liszt revisava as obras como eu reviso posts. Quanto Ă  forma, Liszt o fez em um Ășnico movimento, sem pausas. Claro que hĂĄ mudanças de andamento e de humor que correspondem a movimentos diferentes, mas a audição num fluxo contĂ­nuo faz total sentido. Trata-se de uma narrativa que nĂŁo permite interrupçÔes.


Gravação sugerida - Orquestra da Rådio Båvara - Regente: Carvalho, pianista: Freire


 

Robert Schumann - Concerto para Piano em LĂĄ menor



Em 1845, Robert Schumann completou seu Ășnico concerto para piano e orquestra. Entrou para o rol dos concertos mais tocados de todos os tempos. Ele jĂĄ tinha apresentado o primeiro movimento como uma Fantasia em LĂĄ menor, mas os editores a rejeitaram. Sua esposa, Clara, uma pianista de renome mundial, sugeriu entĂŁo que ele o transformasse em um concerto.


Muitos anos antes, ao escrever crĂ­ticas artĂ­sticas, Schumann havia criado os personagens Florestan e Eusebius, um, tempestivo e apaixonado, e o outro, contemplativo e calmo. Eles eram duas personalidades do compositor, e ele assinava as criticas como um ou outro. E ele usou muito eles dois para compor. Às vezes vocĂȘ escuta uma peça de Schumann e percebe claramente que ele estava sendo Eusebius ou entĂŁo Florestan. O compositor tinha depressĂŁo e possĂ­vel bipolaridade, e eu penso que esses personagens sĂŁo a manifestação disso tudo.


Voltando ao concerto, especialmente no primeiro movimento, nota-se uma luta entre Eusebius e Florestan. O resultado Ă© espetacular. O movimento culmina em uma cadĂȘncia maravilhosa, que assusta pianistas atĂ© hoje.


Gravação sugerida - Orquestra do Gewandhaus de Leipzig - Regente: Chailly, pianista: Argerich


 

Edward Grieg - Concerto para Piano em LĂĄ menor



De 1868, este concerto Ă© a peça mais conhecida do compositor norueguĂȘs Edvard Grieg. Mesmo nĂŁo sendo a coisa mais profunda, Ă© irresistĂ­vel. Um primeiro movimento heroico, um segundo movimento sensĂ­vel e um finale genial. NĂŁo precisa mais que isso pra estar na minha lista e, se pesquisarem por aĂ­, qualquer outra que apareça pela internet. Sem contar com a cadĂȘncia, que foi entrando no imaginĂĄrio popular atĂ© fazer florir as Ă©picas cadĂȘncias dos concertos 1 e 3 de Rachmaninoff.


Em alguma altura dos anos 50 ou 60, algum produtor percebeu que ficava Ăłtimo colocar ele num lado do disco e, do outro, o de Schumann. O resultado Ă© que esses dois concertos, de compositores que nada tĂȘm a ver um com o outro e que sĂł compartilham da mesma tonalidade, ficaram sendo gravados lado a lado. Mas confesso que gosto. Schumann, grave, Grieg, leve.


Gravação sugerida - Orquestra FilarmÎnica de Berlim - Regente: Karajan, pianista: Zimerman


 

Pyotr Tchaikovsky - Concerto para Piano NÂș 1



Se o primeiro e mais bem sucedido concerto para piano de Pyotr Tchaikovsky fosse confrontado com outro, sĂł perderia em popularidade para o 2Âș de Rachmaninoff. TĂŁo difĂ­cil, ele exige atĂ© mesmo preparo fĂ­sico do solista. No gigante primeiro movimento, temos corridas ascendentes e descendentes com ambas mĂŁos, oitavas duplas em cromatismo e uma cadĂȘncia eloquente (embora eu sempre tenha achado que faltava "bactĂ©ria" a essa cadĂȘncia).


O segundo movimento Ă© um encantador andantino (andamento um tanto lento). E o Ășltimo, cumpre seu papel: continuo a nĂŁo gostar de finales.


Gravação sugerida - Orquestra FilarmÎnica de Berlim - Regente: Abbado, pianista: Argerich


 

Johannes Brahms - Concerto para Piano NÂș 2



Obra da maturidade de Johannes Brahms, estreada em 1881, em Budapeste, com o compositor ao piano, sucede o primeiro concerto em 22 anos. Também é dificílimo e tem uma característica estranha: poucas mulheres o tocam/gravam.


Confesso que Ă© o meu favorito. Primeiro movimento alterna entre o pastoral e o agitado, mas o clima geral Ă© de paz. O segundo Ă© um scherzo divertido e sardĂŽnico que contĂ©m uma das passagens mais difĂ­ceis da literatura, pelo que me consta. O terceiro Ă© um lindo andante (meio lento) em que, como no concerto NÂș 2 de Liszt, o piano desenvolve um fabuloso diĂĄlogo com o violoncelo. E o finale estĂĄ dentre os poucos que me agradam.


Gravação sugerida - Orquestra do Gewandhaus de Leipzig - Regente: Chailly, pianista: Freire


 

Sergei Rachmaninoff - Concerto para Piano NÂș 2



A histĂłria Ă© famosa: em 1887 o jovem compositor Sergei Rachmaninoff apresenta em SĂŁo Petersburgo sua 1ÂȘ sinfonia. É um fracasso absoluto. VĂĄrios fatores contribuĂ­ram para isso: a orquestra estava mal ensaiada, Glazunov, o regente, estaria bĂȘbado e, cĂĄ pra nĂłs, a sinfonia carece de atrativos (nĂŁo que seja ruim). Mas o que importa Ă© a rejeição. Rachmaninoff teve um colapso e passou a ter bloqueio criativo.


Foi preciso recorrer Ă  psicanĂĄlise e passaram-se trĂȘs anos atĂ© que ele conseguisse escrever outra obra. Justamente o Segundo Concerto. Conta-se que, nas sessĂ”es, eles trabalhavam com a sugestĂŁo, repetindo tenazmente "eu vou compor um concerto"...


É hoje o concerto mais executado e gravado de todos. VirtuosĂ­stico, mas sem abrir mĂŁo da musicalidade, Ă© peça ideal para o pianista demonstrar todas as suas qualidades.


Tem tudo. Beleza arrebatadora desde o começo, escrita brilhante para piano e, sobretudo, uma maravilhosa integração entre o solista e a orquestra.


Gravação sugerida - Orquestra SinfÎnica de Boston - Regente: Ozawa, pianista: Zimerman


 

Sergei Prokofiev - Concerto para Piano NÂș 3



De 1921, este brilhante concerto representa perfeitamente o modernismo. Dissonante, interessante e nobre. Difícil, também. Jå falei que Sergei Prokofiev era um exímio pianista. Não de carreira, mas chegou a gravar algumas coisas.


E Ă© preciso entender muito do idioma do piano pra criar uma obra tĂŁo fantĂĄstica, tĂŁo sofisticada. Na verdade, mais sofisticado Ă© o 2Âș concerto. Diz-se que apenas o 2Âș de BartĂłk e o 3Âș de Rachmaninoff se equiparam a esse em dificuldade. Mas Ă© de linguagem difĂ­cil, de modo que nĂŁo foi muito popular. Prokofiev entĂŁo resolveu fazer do 3Âș uma obra mais leve, menos ambiciosa. E de fato se tornou o concerto mais conhecido dos seus 5.


Gravação sugerida - Orquestra FilarmÎnica de Londres - Regente: Abbado, pianista: Argerich



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A Arara Neon é um blog sobre artes, ideias, música clássica e muito mais. De Fortaleza, Ceará, Brasil.

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